Especialista explica como os alimentos agem de dentro para fora e dá dicas para melhorar esse processo no dia a dia

Um dos maiores consensos entre especialistas da área da saúde é que a alimentação possui um papel fundamental para o funcionamento de todo o organismo. Da mesma forma que estabelecer uma rotina saudável nas refeições influencia positivamente o corpo, o contrário, quando se consome muitos alimentos impróprios, também pode provocar efeitos, nesse caso, prejudiciais para todo o aspecto físico e mental.

Rosana Simões, clínica médica, especialista em gastroenterologia e nas áreas de medicina preventiva, integrativa e regenerativa, explica que a comida é, basicamente, o combustível que adentra ao sistema através da boca. “A partir daí, inúmeras sequências de maravilhosos eventos químicos dão início à transformação desse alimento em um tipo utilizável de combustível para termos, em fim, o processo de fabricação de energia”, conta.

A médica esclarece que vários órgãos estão diretamente envolvidos nesse ato chamado de “processo digestório”. “Esse conjunto de envolvimento orgânico é mediado quimicamente por fatores de inteligência local e neuronal, ou seja, pelo sistema nervoso central – o nosso velho e cada vez mais valorizado amigo. Os resíduos não utilizados desse alimento ofertado à máquina, irão, progressivamente, se transformar em fezes e serão eliminados do sistema a partir do ânus”, acrescenta.

Esse processo digestório inicia e termina dentro do tubo digestivo – que começa com a cavidade oral e termina no ânus – oferecendo uma série de reações a cada componente do organismo. “As substâncias ingeridas sofrem progressivas rupturas de ligações químicas no intuito de conseguirmos extrair as menores frações de cada componente que ingerimos. Além disso, depois de digerida, as substâncias provenientes da comida ingerida entram pela corrente sanguínea. A partir do momento que as menores partículas alimentares caíram na circulação, elas são transportadas aos diferentes tecidos, órgãos e sistemas do corpo. A finalidade disso é a construção (anabolismo) de substâncias complexas como proteínas, as quais formarão enzimas, receptores celulares, hormônios, anticorpos, músculos, além de reparos de estruturas danificadas”, destaca Rosana.

Afinal, o que é uma alimentação saudável?

Quando se fala em comer bem, muita gente logo pensa que é necessário apenas reduzir os alimentos com alto teor calórico ou industrializados. No entanto, vale ficar de olho, principalmente, na variedade que é consumida ao longo da rotina. “Uma boa alimentação é definida pelo aporte de substâncias essenciais ao funcionamento do corpo. Chamamos de essencial tudo o que for necessário, todos os dias, e que a nossa máquina não é capaz de fabricar”.

Rosana cita que nutrientes como os aminoácidos (metionina, triptofano, cisteína, Lisina, treonina, Fenilalanina, histidina, Glutamina) e os ácidos graxos (ômega 3 e 6) devem ser prioridade na dieta, já que estes são essenciais, no entanto, não são produzidos naturalmente pelo corpo. “Fibras e micronutrientes (minerais) também entram no grupo de alimentos essenciais. Logo, concluímos que uma boa alimentação deve conter tudo o que é essencial, pois, caso contrário, funcionaremos mal naquele dia em que o aporte não foi adequado”.

É possível recuperar o tempo perdido

Rosana conta que o organismo é tão fantástico que, mesmo quem cultivou hábitos alimentares ruins por um longo período, pode recuperar o sistema ao aderir hábitos saudáveis. “Mesmo que sendo machucado, maltratado e mal-alimentado, até mesmo por anos, você mal consegue perceber que alguma coisa está errada. Quando manifestamos sintoma ou doença, já faz muito tempo que estamos construindo um problema, e, na maioria absoluta das vezes, sem sentir nada. Até que um Dia D, temos a manifestação clínica de uma sequência de erros acumulados”, diz.

Assim sendo, o melhor é começar antes tarde do que nunca. “Quanto antes entendermos e recebermos a informação correta de como estamos tratando a nossa máquina, melhor. Mesmo um sistema comprometido por doenças mais graves como cânceres, doenças neurodegenerativas e autoimunes pode sim se estabilizar, parar de piorar ou até mesmo se regenerar”, ressalta.

Como principal dica, Rosana destaca que deve se buscar e informar ao médico quais as alterações que estão acontecendo, de preferência antes de se sentir mal. “Procure também comer alimentos estruturais e não calorias vazias ou “burras” simplesmente porque são gostosas e fonte de recompensa. Lembre-se: se você apresenta algum estado de compulsão, seja por doces ou salgados, com certeza existe um desequilíbrio neuro-hormonal no seu cérebro, que impede que você tenha um controle adequado em relação aos hábitos alimentares, te desviando do certo e te levando a errar. Procure um clínico para te ajudar a decifrar o que está acontecendo, pois, na maioria das vezes, é passível de reversão”.

Rosana ainda relata que a saúde física e emocional estão diretamente ligadas e devem ser observadas em conjunto. “Preste atenção às suas emoções e às dificuldades inerentes à vida, que podem, em algum momento, superar a sua capacidade de controle. Vigie e aumente a inteligência emocional. Procure manter as emoções sob rédea curta e, se não conseguir, procure ajuda antes de maltratar sua máquina”, conclui.

Fonte: Rosana Simões, especialista em clínica médica, gastroenterologia, hematologia, transplante de fígado e terapia intensiva. Atualmente, atua com suas especialidades dentro da Medicina Preventiva, Integrativa e Regenerativa. No âmbito acadêmico, possui destaque passando sempre em primeiro lugar em residências médicas renomadas, todas credenciadas pelo MEC.


atualizado em 22/06/2022 - 12:42

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